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domingo, 6 de dezembro de 2009

Caraguatatuba




Depois de 12 horas de viagem uma nova cidade aguardava por Lorenzo. É uma cidade pequena localizada no litoral paulista, protegida pela serra do mar. Clima quente e chuvoso. Maravilhosa a paisagem. Uma paisagem verde e delicada, diferente da qual estava acostumado na capital das Minas Gerais. Não é uma cidade agitada porém muito divertida. Os onibus não são cheios, as ruas não são congestiodanas, mas isso porque ainda não chegou a temporada. Dizem que durante a temporada a cidade fica agitada. Praias cheias, mulheres maravilhosas, brisa do mar. Agua de Coco, cerveja gelada, o paraiso existe e Lorenzo o descobriu. Agora quer conhecer todo litoral brasileiro, poderia morar um mês em cada cidade. Lorenzo ficara nessa pequena cidade até janeiro de 2010. Não tem destino definido, mas sabe que não voltará tão cedo para as montanhas de Minas. Olhar o por do sol todos os dias a tarde tem feito muito bem para sua alma. Nunca esteve tão tranquilo como está hoje. Pessoas novas. Amizades novas. Lugares novos, tudo isso mudou o sentido de sua vida.

sábado, 28 de novembro de 2009

Litoral

Lorenzo resolveu mudar de vida. Tudo aconteceu muito rápido. Recebeu um telefonema as 17 horas de uma terça feira, arrumou a mochila e foi para rodoviaria sem saber ao certo o que o aguardava. A expectativa como não poderia deixar de ser, era enorme. Uma viagem com previsão de volta acabou se tornando em um possibilidade de terminar seu ano morando no litoral. Sempre desejou morar a beira mar, agora a possibilidade existe. Os últimos dias tem sido interessantes, o stress acabou. Novos ares, novos pensamentos. Voltou a sentir o prazer de descobrir novas perpectivas. Todos estranham seu sotaque, mas ele gosta da sensação de curiosidade que desperta nas pessoas.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A missa


Lorenzo foi criado como uma criança livre, longe de frescura de pais abobados. Andava descalço com os pés na lama, brincava na terra, sentia o frescor da chuva. Teve uma infância simples, porém muito feliz. Aprendeu a ser malandro desde cedo. Era travesso e sempre usava sua esperteza para se safar. Nessa época deixou a timidez de lado, aprendeu na rua a se virar no meio da molecada. Sua avó não o dava mole, mas o deixava andar pelas ruas da pequena cidade tranqüila. Virou “mocinho”, como dizia suas tias. Logo descobriu que não teria mais graça suas brincadeiras de meninos x meninas, agora as queria como amigas. Nunca pensou que isso fosse possível, mas a idade o ensinou muitas coisas. Brincou bastante de cai no poço, e outros tipos de brincadeiras. Quando era um pré-adolescente Lorenzo começou a sair com seus primos mais velhos. Sempre ouvia piadinhas a respeito de masculinidade, garotos adoram esses tipos de piadinhas. Seus primos o atazanava com frases de “efeito”. “Você é veadinho, nunca vimos você com nenhuma menina”. Parece idiotice, mas na época Lorenzo pensava de outra forma e as influencias de seus amigos pesavam demais em sua vida. Todos os meninos são atormentados por essa fase. O que era para acontecer naturalmente virava obrigação.
Lorenzo freqüentava a igreja por força maior de sua avó. Muito religiosa, obrigava Lorenzo ouvir as palavras do padre, não fazia por mal, religião sempre foi muito importante para ela. Lorenzo obedecia, mas acha aquilo tudo o saco, para ele era uma tortura todo aquele sermão da montanha. Lorenzo começou a perceber as garotas que freqüentavam a igreja, isso o deixava mais serelepe. As meninas era a parte boa da missa. Lorenzo as acompanhava feliz da vida, mesmo sabendo que o culto iria lhe dar sono. Todas as garotas da cidade iam para igreja e isso se transformou em um incentivo para Lorenzo. Sua avó o chamava para ir à igreja de manhã, Lorenzo logo pensava em uma desculpa para poder ir a noite. Era obrigado a ir, não importava o horário. Lorenzo achava a igreja de sua cidade linda, ficava observando todos os detalhes de sua arquitetura,observava todas pinturas. Prestava atenção em todas as garotas, prestava atenção em tudo, menos nas palavras do padre. Sua avó desconfiada o pedia para contar como foi à missa, nada que um papelzinho distribuído na igreja não resolvia. Lorenzo guardava o papelzinho da igreja e o entregava a sua avó como prova de sua religiosidade. Sempre entrava na fila da hóstia apenas para ficar perto de alguma garota bonita, ficava lá com a cara mais lavada do mundo, como se fosse um santo. Torcia para que a missa acabasse logo. Em cidade de interior as coisas só acontecem após a missa, esse era o momento mais aguardado por Lorenzo. A missa finalmente acabava e toda a cidade caminhava para o pós-missa na praça principal, livres de seus pecados. Lorenzo saía da igreja com mais pecados do que no momento em que entrava. Ele e seus amigos iam para o pós-missa todos empolgados para verem as gatinhas, todas super produzidas para o dia “d” da semana. Lorenzo nunca tinha um centavo, sempre andava duro, afinal para visitar a casa de Deus dinheiro não era necessário, pelo menos essas eram as palavras de sua avó. Isso porque ela não via o olhar atravessado do coroinha para Lorenzo no momento em que ele recolhia as oferendas na sacolinha da igreja. Quando sua avó o dava dinheiro para oferenda Lorenzo o embolsava e mentia com firmeza a respeito.
Na pracinha da cidade Lorenzo ficava fofocando com os amigos sobre as garotas bonitas que ele avistava, sempre faziam isso, já que não tinham idade e nem coragem suficientes para buscar um bate papo. Quando viam um casalzinho discretamente irem atrás da igreja ficavam imaginando quando fariam o mesmo ato.
Lorenzo era precoce naquela época e a pressão imposta pelos primos ficava cada dia maior, a gozação o deixava aflito. Tinha vontade que seu primeiro beijo acontecesse logo, afinal era necessário "impressionar" os amigos, coisa de moleque juvenil. Depois de uma das muitas missas que Lorenzo freqüentou, foi obrigado a conhecer uma garota que era interessada por ele, não queria para não ser zuado por seus amigos, já que eles não perdovam nada. Mas derrepente ele perdeu o medo da gozação e foi conhecer a garota. Ela uma garota muito tímida o que deixou Lorenzo mais a vontade. Fingiu já ter passado por aquela situação, pegou a pela mão, sentiu uma mão fria e tremula. Levou-a para atrás da igreja sem trocarem uma palavra por alguns metros, não sabia o que falar naquele momento, o silencio fez com que Lorenzo a segurasse no rosto, e a beijasse. Seu coração explodiu naquele momento. A gúria tremia, tremia, e tremia, Lorenzo achou aquilo estranho, mas ficou na dele. Seu primeiro beijo foi também o primeiro beijo daquela tímida garota. Enquanto a beijava não sabia se parava, se continuava, nem o que falaria, só o restou beija-la, beija-la, beija-la, Lorenzo achou muito estranho e muito bom ao mesmo tempo. A ansiedade foi embora. Pararam de se beijar. Lorenzo conseguiu falar algo de engraçado, arrancou um sorriso da garota. A levou até as amigas e foi embora feliz da vida imaginando a missa do domingo seguinte.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dilacerado

Muitas vezes acabamos desviando nossas vidas para um rumo que de certa forma não nos transporta a lugar algum. É ruim sentir-se parado no tempo. A sensação de impotência é inevitável e inexplicável. Um pequeno deslize pode definir toda trajetória de uma vida, consertá-la parece impossível. Muitas vezes tomamos decisões completamente equivocadas acreditando fielmente que elas são as melhores possíveis. Errar é humano, mas fuder com sua vida não tem nada de engraçado. Lorenzo sente-se perdido. Não sabe qual caminho seguir. Sua vida está passando rapidamente debaixo de seu nariz, a sente escapar. Tem dia que acorda completamente animado e bem humorado. Há dias em que o desanimo simplesmente o derrota. Sente-se um traste, um fardo. Pensa nos últimos anos de sua vida a qual julgava os melhores. Hoje ele enxerga como seu caminho é recheiado por enormes pedras, e que nem sempre fez boas escolhas. Tem convicção que ainda há tempo para consertá-la. Lorenzo está cansado de ser julgado, de ser pressionado, de sentir raiva. Definitivamente este é o ano mais difícil e complicado de sua vida. Nunca pensou que a situação seria tão cansativa. Hoje ele está tenso, nervoso, chateado, e isso o derrota ao fim do dia. Lorenzo quer ser feliz. Felicidade, como deseja lembrar o significado dessa palavra, tempos que não a vê presente em sua vida. Não acredita que a situação possa piorar, chegou ao fundo do poço. É o momento mais complexo de sua vida, no fundo reconhece a importância deste momento para sua formação. Um aprendizado de vida faraónico. Sabe que essa tortura logo acabará, e sairá fortalecido dela. Nunca pensou que a vida fosse fácil nesse sistema de merda, mas também não esperava que fosse tão difícil.

domingo, 13 de setembro de 2009

Back into the hole where I was born


Lorenzo foi obrigado a parar sua moto antes da passagem de nível. Impedido por um segurança viu a cancela descer. De longe ouviu sua buzina imponente. Os trilhos começaram a estalar. Aos poucos a grande máquina apontou na curva. Após alguns segundos estava a sua frente, um amontoado de metal. Sentiu o cheiro do oléo diesel queimado. Sempre gostou de trem, mas aquele era especial, o famoso "trem de passageiros". Era exatamente sete e quarenta da manhã acabara de sair da Praça da Estação. Tirou o capacete para visualizá-lo melhor. Inevitável não lembrar das vezes que subiu naquele trem. Esperou atentamente pelo primeiro vagão, viu alguns olhares curiosos em sua direção. De suas janelas as pessoas espiavam. Eu de minha moto e os motoristas atrás de mim também espiavamos calados. Quando via um rosto sorrindo ficava a imaginar seu destino. Trem de passageiro, impossível não se encantar com ele.
Quando criança ao ler seus livros de história, Lorenzo imaginava uma viagem pelo interior do Brasil através dos trilhos. Sempre adorou filmes de faroeste em que ladrões saltavam de seus cavalos em direção aos trens de bancos. Quando criança o trem deixou de passar por sua cidade durante alguns anos. Recebeu com euforia a notícia que ele voltaria a passar por aquelas bandas. Sempre ouviu histórias da época em que ele passava nos trilhos perto de sua escola. Claro que no dia de seu retorno a aqueles trilhos, Lorenzo queria o ver com seus próprios olhos, ficou ansioso na escola. Ao apontar oito e cinquenta em seu relógio não se conteve, pulou o muro da escola para ver o trem passar. Ficou a beira daquele pontilhão metálico acenando para os passageiros do trem, achou o máximo. Voltou para escola mas a suspensão foi inevitável.Sua avó adorou a notícia do neto fujão. Mas valeu a pena.
Agora estava ali, na frente daquele trem anos mais tarde. As crianças acenavam dos vagões, não se conteve e ficou acenando para elas. Percebeu os olhares indiferentes de alguns motoristas, não se importou com isso.
Lorenzo adorou a primeira vez que subiu naquele trem, nem ligou para as doze horas de viagem, e nem com o minério prateado em seu rosto. Foi uma das melhores viagens que fez em sua vida, simplesmente por ter ido de trem. Sempre que volta a sua cidade dá um jeito de subir em algum daqueles vagões. Paisagem maravilhosa. Hoje ele desce logo na segunda estação, mas não tem problema, adora o pouco tempo de viagem. Sempre com sua câmera a mão, corre para área de fumantes. Adora aquele espaço, não pelo fato de poder fumar no trem, mas pelas amplas janelas que aquele espaço possui, excelente para fotografar a paisagem.
O trem sempre fez parte de seu imaginário, lembrou da fez que levou uma moeda para ser esmagada pelo peso daquela máquina, a guardou por muitos anos, pena que a perdeu. Sempre sonhou com viagens clandestinas em seus vagões, mas claro, nunca teve coragem para tal façanha. O tempo de moleque passou, assim como o trem a sua frente. A cancela sumiu, Lorenzo ligou sua moto e foi embora, mas seu fascínio por aquele grande máquina não o abandonará.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Lorenzo passou em seu blog hoje, isso mesmo que você leu, passou em seu blog, esse texto é sobre você mesmo, ele sorrir ao escrever isso. Sempre ao entrar na internet dá uma espiada, e fica pensando, será que ela escreveu? Sim, ela escreveu, "correr" para ler. Lorenzo entra em seu blog, não o dele, mas o seu mesmo cara leitora. Ficou impressionado quando o leu pela primeira vez, surpreendente ele pensou. Ficou com aquilo na cabeça, sabia que no primeiro momento, na primeira oportunidade falaria isso a vossa timidez, não resistiu, teve que elogiar. O encantamento dura até hoje, adorar ler seus textos. Nunca trocaram uma palavra antes, mas aquele blog quebraria o gelo. A rotina de Lorenzo mudou esses dias, anda sumido, porém sempre espia aquele blog, tornou-se um vício gostoso, adorou o encantamento, adorou seus textos. Nas memórias de Lorenzo faltava um texto sobre você, hoje ele escreve com mais frequência graças aquele blog. E ele é grato a você por isso. Novamente ele sorrir ao escrever issoe recomenda esse mundo é muito mais amplo e colorido que uma casca de ervilha.

domingo, 30 de agosto de 2009

"Corre que um elefante sentou no seu carro"


Depois de 1 ano esperando finalmente Lorenzo matou sua vontade de curtir o show do Nação Zumbi. Tudo bem, era uma calourada mas o show não deixou nada a desejar. Encontrou os amigos, tomou algumas geladas como é de costume e foi curtir o show. Lorenzo não desgrudou os olhos do palco, queria ouvir as músicas do último CD, apenas uma ficou fora do repertório. Lúcio Maia teve uma atuação impecável, manobrou maravilhosamente sua guitarra, com direito a dar um tapa em um baseado no palco. Hilário seu comentário: "Vocês não me passaram a bola agora eu também não passo." O público canabista foi ao delírio. Funcionou como um aditivo aquele baseado, sua apresentação foi muito foda. Maracatu da pesado, muito boa a performace e pegada da banda ao vivo. O palco estava montado a baixo daquele céu maravilhosamente estrelado, logo a baixo da constelação de escorpião, muito bem reparado por uma amiga. Uma hora e meia de show, pouco para as expectativas de Lorenzo, mas isso devido a ância que estava de assistir aquele show. Faltou apenas uma aditivo para Lorenzo alcançar seu ápice, ai sim a noite seria perfeita. Mas valeu muito a pena. Lorenzo esparradamente se divertiu, contou casos a seus amigos. Como sempre seu espírito de comediante tomou conta de si diante seus amigos. Depois de muitas risadas Lorenzo voltou para casa feliz e satisfeito.